Em memória de
20 de março de 1947 · 27 de agosto de 2026
Esposo, pai, avô e tio
“Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé.”
2 Timóteo 4:7
Sua história
Para ele, tudo estava ótimo. Até na hora de escolher o sabor do pastel, preferia que alguém escolhesse por ele. Fazia pouca questão das próprias vontades e ficava contente com o que viesse, desde que a família estivesse reunida e bem. E seguia atento, presente onde podia ser útil.
Quando alguém da família precisava, ia junto com a esposa, levava o que era preciso e ficava ali, presente, atento ao que mais pudesse fazer.
Passavam horas com parafusos pequenininhos, um pedaço de arame, um restinho de madeira, até a solução aparecer. Mãos que construíram a casa da família e cuidaram de cada coisa dela, com o que estivesse ao alcance.
Na gaveta da casa existe uma faca com cabo de madeira feito por ele. Com zelo, horas a fio, cada cantinho arredondado à mão. De todas, é a melhor. Talvez porque carrega o seu cuidado. O mesmo cuidado que ele colocava no lagarto temperado na véspera, do seu jeito, que ninguém mais fazia igual. A “carne do tio Silvio”.
Em cada coisa que fazia com as mãos, deixava o seu cuidado.
Como a faca de cabo de madeira que ele mesmo esculpiu, com cada cantinho arredondado à mão. Ela segue na gaveta de casa e, para a família, é a melhor de todas.
Como pai, foi presença de todos os dias. Chegava do trabalho sempre com uma surpresa para a filha. Aposentou-se cedo, quando ela ainda era pequena, e fez desse tempo um tempo dedicado a ela. Jogava bola com ela, a levava para pescar e para ver o rio pelas manhãs. Cuidou dela com um carinho que ela guarda até hoje.
Suas palavras eram raras e, por isso mesmo, preciosas.
Quando ele falava, todos ouviam com atenção e respeito.
O que ele deixou
Criar com o que se tem
Um arame, um restinho de madeira, um rebite de latão. Sempre dava um jeito.
Fazer com esmero
Fosse um conserto em casa ou um prato para a família, se dedicava por inteiro para entregar o seu melhor.
Agir no que é necessário
Observava, ouvia e só então fazia a sua parte.
Lembranças

















Guardada na carteira
A oração foi um presente da mãe dele. Desde que a ganhou, ele a levou consigo a vida toda, num papel dobradinho guardado na carteira. Depois de sua partida, a família encontrou o papel ali, bem antigo, no mesmo lugar de sempre. Certamente, essas palavras serviram de inspiração para a sua vida.
Senhor, fazei de mim um instrumento de vossa paz.
Onde houver ódio, que eu leve o amor.
Onde houver ofensa, que eu leve o perdão.
Onde houver discórdia, que eu leve a união.
Onde houver dúvida, que eu leve a fé.
Onde houver erro, que eu leve a verdade.
Onde houver desespero, que eu leve a esperança.
Onde houver tristeza, que eu leve a alegria.
Onde houver trevas, que eu leve a luz.
Ó Mestre, fazei que eu procure mais
consolar que ser consolado,
compreender que ser compreendido,
amar que ser amado.
Pois é dando que se recebe,
é perdoando que se é perdoado,
e é morrendo que se vive para a vida eterna.
Um gesto simples, para lembrar dele com carinho.
Obrigado por lembrar do Silvio com carinho.